(Campion Bond, 1908)
Eu li isso pela primeira vez no inicio da graphic novel “A Liga Extraordinária”, definitivamente uma das melhores (e talvez a melhor) coisa que eu já li até hoje! Contudo, não época em que eu li isso, na minha tenra idade de uns 13 anos, não compreendi o que isso queria dizer. Hoje eu não só o compreendo como vejo que, 101 anos depois, a situação não mudou. A situação tornou-se mais ampla: Nós temos uma dificuldade imensa de distinguir nossos heróis de nossos monstros.

O que é um herói ou o que é um monstro? Em qual ponto Charles Bronson, matando 3 pessoas por segundo de filme torna-se um herói ao invés de um bandido? É porque ele mata bandidos que matavam inocentes? Mas ora, e muitos desses bandidos não tinham família? Mas acho que o exemplo que eu escolhi não foi muito bom, vamos deixar os anos oitenta fora disso, afinal, é a época dos bandidos de jaqueta de couro que andam por aí com canivetes, ouvindo rock’n’roll e perturbando a paz.

Um dos melhores filmes nacionais que eu já vi foi “Tropa de Elite”, é o estilo de filme que eu gosto, é a junção de violência gratuita com frases de efeito. Notaram a “violência gratuita” no texto? O sociopata Capitão Nascimento é um representante da lei, da justiça, ele tem de ser um herói, ele tem de ser o bonzinho! O problema é: até que ponto é possível combater pistolas com algemas? Então Nascimento não utiliza da diplomacia para fazer o bem, ele, como o Batman clássico (o clássico, não esse boiola deformado pelo psicólogo maluco) como um cavaleiro negro da porrada em todos que estão no seu caminho para atingir seu objetivo, para estourar a cabeça de um bandido. Nós vemos um sujeito mal encarado dando porrada em culpados e inocentes para prender um bandido. E o que é que nós dizemos? “VIVA O CAPITÃO NASCIMENTO!!!”, “A SOCIEDADE PRECISA DE MAIS POLICIAIS ASSIM!!!”. “CAPITÃO NASCIMENTO É O HERÓI DE QUEM O BRASIL PRECISA!!!”.

Nascimento pode ser um policial que não se corrompe tão pouco se omite, mas o problema é a maneira com a qual ele ‘vai pra guerra’. Ora, corrupção e omissão são problemas sérios, é verdade, mas também a violência desnecessária faz com que não possamos distinguir nossos policiais de nossos bandidos, nossos heróis de nossos monstros.
Dois anos depois os cinemas presenciaram o filme “Watchmen”, que tornou ainda mais conhecida a genial obra do Alan Moore. E, se perguntarmos para 10 pessoas qual seu personagem favorito, receberemos de 8 essa resposta: RORSCHACH. Ora, Rorschach é um personagem mentalmente abalado e com tendências fascistas, contudo, quem preferimos ser: O sujeito inteligente e fracassado que não come a mulher por quem é apaixonado e tem uma vida de merda reprimido em sua casa e vida monótona (O Coruja), ou o sujeito que não leva desaforo pra casa, que quando é xingado na rua enfia a mão na cara do sujeito, que quando é desrespeitado no bar, destrói a mão do sujeito (Rorschach). Ora, nós já somos um Coruja, sendo humilhados por nossos patrões! Nós queremos ser um Rorschach! Nós queremos mandar nosso patrão se foder, arrebentar o monitor na cabeça dele e cagar em cima da sua mesa! Nós queremos encher de porrada aquele filho da puta que nos enche o saco.... Mas nós, nós não temos coragem! E é por isso que queremos ser um Rorschach, um Capitão Nascimento!

Nós queremos ser um Rorschach ou um Capitão Nascimento para arrebentarmos a cara daqueles que agem como um Rorschach ou um Capitão Nascimento! Nós queremos uma sociedade de mais Capitães Nascimento, uma sociedade repleta de Rorschachs... Mas.... E não são eles o problema?
É esse o problema: Nossa sociedade está repleta de monstros, e os poucos heróis que restam não agüentam de vontade de tornarem-se monstros também. Que merda, né?
3 Heresias:
"Nós queremos mandar nosso patrão se foder, arrebentar o monitor na cabeça dele e cagar em cima da sua mesa!"
farei isso um dia.
É difícil conseguir combater qualquer tipo de mal sem ser o extremo oposto, ou um igual.
Agora, pacifismo até serve pra algo, mas pacifistas jamais são heróis.
O povo, acho, não quer ser herói, só quer ser reconhecido, custe o que custar.
Moral e estética andam juntas, as vezes até demais ;/
Nobody's Hero - Rush
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