domingo, 27 de junho de 2010

Bang bang, my life shot me down

ADVERTÊCIA AO LEITOR:

ISSO É UM CONTO, FICÇÃO. NÃO É REVISADO. EU ESCREVO POR ESTOU ENTEDIADO, VOCÊ LÊ PELO MESMO MOTIVO. TEMOS UM ACORDO?



Escrever é difícil porque ter idéias é difícil. E eu não escrevo enquanto não tiver uma idéia. E isso é complicado, porque sem idéias não escrevo. E sem escrever não tenho idéias. Você consegue entender? Eu preciso escrever para ter idéias. Vamos dizer que eu não tenho nenhuma idéia sobre o que escrever ou porque escrever, e quero escrever um conto para colocar no meu blog. Então eu fico imaginando contos que li, Gaiman, Lovecraft, King, e tento ter idéias geniais como as deles. Só que eu não consigo ter. Deveria começar a escrever e ver onde vai dar, se vai ser um conto de amor, de terror ou de suspense não importa, eu descubro enquanto estiver escrevendo.

Mas eu não faço isso.

Eu me levanto da cadeira e vou até a cozinha, colocando a mão no lugar onde se que há uma garrafa de whisky e barato e enchendo o copo com um movimento tão rápido quanto o que faço para beber seu conteúdo. Um gole e meio copo já foi, e como meio copo de whisky é o que coloquei, todo o copo se foi.

Abro a porta após pegar o casaco e saio para a rua escura no meio da madrugada, que pode até ser a madrugada para você, mas para mim é aquele período entre o meio dia e as três da tarde em que é bom não pegar sol. É que eu não gosto muito de ficar acordado durante o dia, se é que você me entende.

Eu estou andando pelas ruas e tentando ter uma idéia. Coloco as mãos nos bolsos do casaco e penso nessa porcariada que as pessoas estão lendo, vampiros, bruxos, magia. É tudo uma idiotice sem tamanho. Romances abobalhados onde a divina providência sempre arranja uma namorada para o mocinho, sempre arranja uma aventura amorosa com alguma peituda. A vida não é assim. Eu, por exemplo, estou andando no meio da rua às quatro da madrugada e nada acontece. Nenhuma vampira gostosa apareceu. Ainda. E esse ainda não quer dizer que ela vá aparecer, só quer dizer que você vai continuar esperando.

Sabe o que aconteceu? Um bêbado venho ao meu encontro, depois passou por mim e continuou andando. Não parou, não se transformou em um lobisomem, não arrancou meu pescoço com uma dentada e dois irmãos em um Impala não saltaram sobre ele apunhalando-o com uma faca de prata.

Eu queria ter um carro. Porque eu poderia dirigir no meio da estrada durante à noite, assim mais coisas poderiam não acontecer comigo. Eu poderia não encontrar uma mulher fantasma que me seduziria e arrancaria meu coração à base de unhadas, também poderia não ser perseguido por um serial killer misterioso em um Camaro marrom. Esse é o problema da vida, você sabe? As coisas nunca acontecem. É por isso que os contos do King, Lovecraft e Gaiman são legais, porque eles falam de monstros de dentro do armário e de garotas extra terrestres em festas. Mas vai ver é porque essas pessoas tem idéias.

Então eu penso em Deus. Eu acredito nele, e você? Você deve acreditar, você tem pinta de ser um desses idiotas que gosta da vida, e eles costumam acreditar em Deus. Você acredita em Deus porque é feliz, e é feliz porque acredita em Deus. Vamos lá, vamos parabenizá-lo pelo milagre da idiotice e ignorância. Não, eu não sou ateu, eu disse que acreditava Nele, você além de idiota é cego ou surdo, por acaso? Eu só acho que ele não faz coisas boas. Eu acho que ele existe e só, se eu sou feliz ou infeliz a culpa não é dele, é minha. E se você é feliz a culpa não é dele, é da sua próprio idiotice.

Agora eu estou ouvindo um trem passar. Deve ter uma mulher amarrada no trilho e esperando ansiosamente para que algum milagre faça o cavalo do seu amado correr mais rápido que as rodas de metal sobre os trilhos cujo gosto salgado ela sente. E ele vai saltar sobre o trem e pará-lo. É claro que não. Ela sequer é uma mocinha, é uma droga de uma prostituta que apanhou de um bando de playboys e está caída de cara no meio fio. E ninguém vai matá-la nem salvá-la. Ela só vai sentir a necessidade de ir embora, mesmo com a dor, quando o dia amanhecer e as pessoas começarem a olhar para ela.

Pessoas que se acham bastante superiores, mas não são nem um pouco. São só idiotas que se acham superiores porque aparentemente tem uma vida mais feliz.

Mas espere, agora eu estou pensando... Eles são felizes, eles se acham
superiores, eles realmente não são? Se eles acham que são, eles são, não são? Bem, eu lá vou saber? Eu não sou nenhum pseudo filosofo, eu sou é um pseudo escritor, que nem sabe como escrever. É difícil. Partir do nada, sem personagens, sem trama, só eu sozinho. Eu e uma folha em branco. Eu e o barulho do cooler girando aterrorizantemente.

Um zumbi vem na minha direção e arranca um pedaço da minha orelha. Sou abduzido. Chego à sala e todos os livros estão fora da prateleira, menos um.

Não parece ser muito difícil, mas é. Qualquer um tem uma idéia, poucos a desenvolvem. Difícil é ter uma idéia, isso sim. Quer saber, vou voltar pra dentro, tocar uma punheta e parar de tentar escrever que eu ganho mais. No dia seguinte começo a escrever uma história sobre pessoas que tem suas vidas mudadas e que tem de salvar o mundo. Ah... Vá se foder, o idiota aqui é você, não eu. Por que eu disse isso? É porque eu sei que isso não é nada original, eu não preciso que você me diga. O idiota aqui é você, não eu.

Você que é um idiota que se acha feliz mesmo tendo uma merda de vida, é você que é feliz porque é um completo imbecil. Eu sou infeliz e sei que é por minha culpa, minha vida é uma merda pelos meus próprios méritos.

Pensando bem... Acho que o idiota sou eu.

Bang.

3 Heresias:

[w]ill disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
[w]ill disse...

-

Ok, temos um acordo, adorei ver a madrugada do dia primo! ôrra!

Mandou bem.

Guil/Sion disse...

BANG!

realmente, a merda é ter uma idéia.

seguir com ela é questão de esforço.


mas eu acho que somos todos idiotas, por nossos próprios méritos.

Bang.