domingo, 12 de setembro de 2010

De Paramore a Johnny Cash

Eu tenho uma certa queda por ruivas. Na verdade não, mas minha namorada colocou essa idéia na cabeça e isso acabou se transformando em outra piadinha da relação. De qualquer jeito, eu, que freqüento diversos fóruns, costumo saber o que está no gosto do pessoalzinho através dos avatares, assinaturas e nicks deles.




Eu, por exemplo, vi muitas garotas com “Swan” no nick. Automaticamente pensei: São fãs de “Piratas do Caribe”, mais especificamente da Elizabeth Swan! Mas, aí sim, fui surpreendido novamente! Tratava-se não de Lizzy Swan, mas de Bela (Ou Bella, whatever) Swann, aquela guria com cara de idiota do filme sobre vampiros.



Também vi muitas gurias com avatares de uma ruiva e pensei automaticamente: Olha só, fãs da Dulce Maria! Mal sabia eu que estava enganado... Pois não eram fãs de RBD (claro que não, estamos em 2010!). Eram fãs de Paramore. E eu fiquei curioso. Na verdade não automaticamente, demorou um pouco, sabe. Eu ultimamente ando ouvindo, no ônibus, apenas podcasts, e em casa dificilmente ouço alguma coisa no computador. Então, pensei: Vou arriscar. Fui ao meu twitter e perguntei sobre essa tal banda, e não me deram uma opinião positiva? Então... Por que não?

Então, recorri à pirataria: Saqueei um navio ou dois, peguei o dinheiro do butim e fui à Torrentz Megastore e comprei todos os CDs dessa banda canadense (eu acho que é canadense). Ouvi e... Não é ruim. Mas também não é bom. Na verdade até que é bom, mas entenda, leitor: Eu só ouço coisa velha. Pra mim, U2 é uma banda nova. Sim, para este que vos fala, Bono Vox, Edge e outros integrantes da banda são meninos.





O problema de Paramore é que a maioria das músicas me soaram iguais. E eu não me julgo um completo ignorante musical, posso não ser um menestrel, mas ouço diversas músicas do mesmo estilo e consigo distinguir algo entre elas. Talvez seja porque eu ouvi Paramore apenas uma vez... Mas tem uma meia dúzia de músicas (umas 3, na verdade) que são realmente boas e se destacam.

Depois de ouvir Paramore por um bom tempo, até terminar todos os CDs, fui até minha estante e olhei aos CDs. Pensei “vou ouvir algo que eu estava ouvindo muito um tempo atrás. Vou ouvir alguma coisa do homem de preto, vou ouvir um Johnny Cash”. Ouvi o disco Live at San Quentin inteiro e, caros leitores, ao terminar, meu pensamento foi: COMO DIABOS EU FIQUEI UMA SEMANA OUVINDO PARAMORE?



Mas Paramore não é ruim. Johnny Cash é melhor, mas essa não é a questão. A questão é aquele algo a mais. Quando você ouve o disco sobre o qual estou falando, você ouve o Sr. Cash, cantando a música San Quentin, sobre o presídio San Quentin, em uma prisão (San Quentin, veja só que coincidência!) para aquelas pessoas que estão lá há 20 anos!

Gostei muito de um comentário que vi no youtube, de um sujeito que disse “meu tio esteve em San Quentin nesse dia. Ele disse que ouvir isso era como ouvir o som da liberdade”. Coloquem-se no lugar dele, leitor. Ouçam:




Chegando ao busílis da questão: Podem ouvir Paramore. Podem ouvir o que quiserem. Mas... E essa geração? Qual o ídolo que tem um algo a mais em suas canções? Não falo sobre músicas sobre a adolescência, ou sobre bandas que são moda porque fazem parte da trilha sonora de filmes da moda sobre vampiros. Falo de Johnny Cash, cantando sobre liberdade para pessoas que não a tem. Falo sobre Scorpions, cantando sobre a queda do Muro de Berlim, na queda do Muro de Berlim, sendo que eles viveram a triste realidade alemã imposta por aquele muro!



E não menosprezo as dificuldades da adolescência, podem cantar sobre ela! Mas a adolescência passa para todas as pessoas... E chega uma hora em que nos esquecemos da nossa adolescência. Mas nunca nos esquecemos do Domingo Sangrento na Irlanda, arquitetado pelo IRA e interpretado pelos meninos do U2.

É isso que eu penso. Grandes merdas, né?

3 Heresias:

guil5566 disse...

o problema está no fato da nossa geração não ter que lutar por nada, talvez a luta diária contra o ócio, e só.

o que isso rendeu? uma geração sem idéias revolucionárias ou inovadoras, veio merda atrás de merda, mas fazer o que, eu não tenho pq sair da minha zona de conforto, diferente das gerações passadas que tiveram um objetivo, um alvo e um inimigo a vencer.

meu inimigo é o ócio, e olhe lá.

bom post, me incentivou a ouvir mais johnny cash.

Milena Carvalho disse...

Adorei teu blog,visitarei sempre!

[w]ill disse...

-

Pois é, o rock morreu né primo. =/
Só se escuta com bons ouvidos as velharias mesmo.

Paramôre é legalzinho...
Mas mais do mesmo, como tudo hj em dia.

Tudo se explodiu junto com a cabeça do Kurt, sei que vc não curte Nirvana + vc tem que admitir que foi o ultimo suspiro do genero.

Teve o Artic Monkeys esses tempos, mas foi só um espasmo muscular do bom e falecido Rock and Roll.