segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Quem fala mal de Crepúsculo é idiota

Depois de começar a estudar estruturas de roteiros percebi com mais clareza algo que muitos diziam, e que foi registrado por Wila Cather: “Existem apenas duas ou três histórias humanas, e elas vão se repetindo sem parar, teimosas, como se nunca tivessem acontecido antes”. E é verdade, existem só duas ou três histórias que se repetem, mas não é sobre isso que eu vou falar. Eu vou falar sobre os idiotas que se revoltam sempre que essas histórias acontecem de maneira diferente. Melhor ainda: Todo mundo fala de crepúsculo. Eu não poderia ser igual aos outros, por isso, vou falar mal de quem fala mal de crepúsculo.

Vocês sabem o que é uma releitura? Vou primeiro dizer o que é depois dar três exemplos. Um bastante conhecido e outros não muito.

O que é releitura

Releitura é uma segunda visão acerca de um determinado assunto, acerca de algo. Releitura, por exemplo, é você adaptar a obra O Grito de Munch substituindo a figura agonizante pelo rosto de um nova-iorquino e, na parte de trás, colocar o colapso das torres gêmeas.

Uma releitura é a adaptação de uma figura, de um personagem, de uma obra, ou mais abrangente ainda: De uma idéia para o seu modo de pensar ou o modo de pensar da sua geração.

Isso é ruim? Isso é bom? Vamos aos exemplos.

Exemplo 1 – Tolkien e os Elfos

Sabe o que eram elfos antes de Tolkien? Eram fadas. Eram criaturas de poucos centímetros com azinhas brilhantes e vozes estridentes que voavam pela floresta com suas vozinhas insuportáveis dançando. E o que Tolkien fez?

Tolkien pegou alguns elementos das dos elfos que hoje chamam-se fadas e construiu os seus elfos da maneira como tanto são vistos hoje. Transformou elfos em criaturas da floresta? Não, eles já eram criaturas da floresta. Transformou-os em criaturas extremamente gays? Não, elfos já eram extremamente gays. Eles continuaram sendo criaturas purpurinadas que brilham? Não, ele tirou isso.E o que adicionou? Tornaram-se guerreiros, sábios, imortais, MARAVILHOOOSO! CONSELEEEIRO! DEUS FOOOORTE! PAI DA ETERNIDADE! E PRÍIIIIIIIINCIPE DA PAAAAAAAAAIHHH!!!!!!!!!!!!!

Ok, isso foi desnecessário.

Exemplo 2 – Eoin Colfer e os Anões

Pra quem não sabe, Eoin Colfer é o autor da série “Artemis Fowl”, livros infanto-juvenis mas excelentes, com um humor extremamente refinado que algumas vezes lembra-me de Douglas Adams, o que é uma coincidência, pois Colfer escreveu um livro para a série d’O Guia do Mochileiro das Galáxias”. Se Colfer deixasse de escrever para crianças, adicionasse um humor negro e crítica aos seus livros, seria idolatrado pelo público nerd geral. Mas deixando essa introdução de lado, vamos ao exemplo de releitura:

Anões. Ele fez uma releitura dos anões. Colfer não viveu no começo do século, tal qual Tolkien, ele viveu numa época em que os anões já foram reinventados pelo inglês. E o que o irlandês fez foi reinventar as criaturas baixinhas, barbudas e mineradoras à sua vontade. Anões são mineradores, e eles escavam seus túneis da seguinte maneira: Eles deslocam seu maxilar até sua boca tornar-se gigante e atiram-se de boca na terra, comendo-a e... Sim, e depois eles fazem isso mesmo que você imaginou com a terra. Anões são criaturas com mordidas extremamente fortes e capazes de soltar gazes com força e cheiro fortes o suficiente para tornarem-se armas. Sua baba é como cola, sua barba é tão forte que pode ser usada para abrir fechaduras. Isso é outro exemplo de releitura.

Contudo, vamos ver o que o irlandês fez: Ele manteve alguns elementos do original. Mineradores, vivem na terra, escavam como nenhuma outra pessoa e são gananciosos. E colocou outros elementos, como os gazes, a barba e o maxilar deslocado.

Exemplo 3 - Stephenie Meyer e os Vampiros

Chegamos ao busílis da coisa, não é? Ao momento crítico e polêmico, não é? Ah... Não chegamos não. Vocês não perdem por esperar...

O que são vampiros. Vampiros são criaturas que sofreram modificações desde o início, tendo sua origem em folclores europeus sendo que o que se tem hoje é uma mistura geral de lendas. Um monte de releituras. De qualquer jeito, temos vampiros como criaturas que vivem de noite. Porque não gostam do sol e porque o sol os fere, normalmente porque são malditos e para tanto condenados à escuridão. São parasitas, necessitando do sangue alheio. Vistos como criaturas diplomáticas devido aos séculos de vida e aprendizado, como animais outras vezes, permeiam o cinema e a literatura há um bom tempo.

E então venho essa rapariga, essa tal Stephenie Meyer, e fez o que cada autor que escreveu cada livro sobre vampiros nos últimos cem anos fez: Pegou o modelo de vampiro vigente, manteve algumas coisas, modificou outras. Eles continuam sendo criaturas da noite? Continuam. Continuam se alimentando de sangue? Continuam. Aprenderam com os anos de vida e tornaram-se ricos e diplomáticos? Sim. Então, o que mudou?

Bem... O rapaz é gay? Ta, como se o Gary Oldman naquele filme fosse muito másculo... Ou como se masculinidade fosse um traço dos vampiros.



Eles brilham durante o dia? Ta, isso é estranho... Mas é só um detalhe. É um detalhe acrescentado ao bel prazer do autor, um direito que ele tem.

O que mais? Vamos lá, mais em relação à história... São vampiros bonzinhos com uma história extremamente puritana. Sabe por que?

Porque mídias normalmente são dirigidas a um público alvo, que nesse caso são menininhas adolescentes que acham idiota demais esperar que uma coruja traga uma carta te chamando pra uma escola de magia e preferem esperar que o colega bonitão da sala de aula seja um vampiro que a leve para um mundo mágico.

Estórias são assim. Elas representam os anseios de um público alvo, que faz com que eles gostem dela.

E você? Você odeia crepúsculo, por que?

Você acha que o que ela fez com vampiros não foi certo, que aqueles não são vampiros. Que não mereciam se chamar de vampiros.

Vampiros são uma maldita releitura e coleção de costumes. Um autor pode fazer o que quiser com os vampiros e chamá-los do que quiser, inclusive de vampiros.

Você acha que a estória é idiota, algo para menininhas de catorze anos que esperam por um príncipe encantado.

Sim, é assim que funciona. Quando você escreve uma estória assim você sabe quem é que vai gostar dela, você não espera que um motoqueiro de 55 anos ande com o livro debaixo do braço.

Você odeia a estória porque ela é ruim, porque ela insulta os seus adorados vampiros, porque você acha idiota idolatrar uma história e por isso seu passatempo preferido é falar mal de quem gosta de crepúsculo.

Faltou só completar: Você é um idiota. Sabe por que?

Porque quem idolatra crepúsculo é o público alvo, quem idolatra crepúsculo idolatra o produto, dedica sua vida ao produto.

Você dedica sua vida ao ódio do produto, você dedica sua vida a um sub-produto de crepúsculo, ou seja:

Sua vida é um sub-produto de uma merda.


PS: Eu também não gosto de Crepúsculo. Prefiro Blade.

E um agradecimento especial ao amigo Guillermo Peccilli pela ajuda com a revisão do post.

12 Heresias:

Guil/Sion disse...

haters gonna hate.

eu tb odeio crepúsculo, AYE!

mas o texto me convenceu, maldito.


grato pela homenagem *__*

@eboth disse...

Vou te dizer que o que de fato em encomoda nos "vampiros" do Crpúsculo foi o fato da autora alterar coisas que tendem a ser constantes (como se esfarelarem ao sol).

Quero dizer, tem coisas que é comum de ver adaptado de uma obra para outra, como as fraquesas à água benta, cruzes e etc., mas fazere vampiros brilharem ao sol foi meio que demais.

Bom, até aí é só questão de gosto mesmo, coisa de quem foi criado sob a doutrina de vampiros como os de "Vampiro: a Máscara", detalhes.

De fato eu n odeio Crepúsculo como um todo, nem sequer li os livros pra poder falar e mesmo que tivesse lido, ia ser só questão de gosto - o fato de não ser público alvo, como tu disse no texto.

O problema são os filmes. Putaqueopariu, são muito ruins, MUITO! E não é questão de gosto, não é quanto a história, etc. Eles são ruins MESMO, ruins como filmes, com atores ruins e todo o pacote completo. E sim, eu assissti essas porcarias e me arrependo com força uhauha

Anyway, concordo com o texto na maior parte, com as ressalvas dadas acima e talz. Bom texto GPreto ;D

PS: Vide elfos da mitologia nórdica (muito parecidos com os valar do Tolkien), se eles eram fadinhas, o Thor era o Bozo.

GP disse...

Obrigado, caríssimo!

E bem... Se você for ver, em duas mídias recentes (Blade e Supernatural) a coisa do sol é contornada.

E realmente, os elfos nórdicos devem ser considerados, principalmente porque mitologia nordica é o silmarillion cagado e escarrado em boa parte.


E quanto ao filme ser ruim... Felizmente eu não os vi, mas filmes adaptados de livros estão presos a uma maldição

Taís Drabik disse...

Muito interessante!
Você dá uma boa justificativa para não se gostar obra. Como eu não tenho nada contra, me pergunto: será que faço parte do público-alvo também????
Ah! Terminei de reler O Morro dos Ventos Uivantes. Sugiro que você faça o mesmo. Todo escritor adoraria ter criado Heathcliff. Ele é mesmo muito mau!

GP disse...

Obrigado!

E poxa, minha intenção não é bem dar uma justificativa pra nao se gostar da obra, mas dizer que muitos não gostam sem justificativa nenhuma! Não que se precise de uma justificativa para não se gostar, mas para se odiar acho que precisa...

E bem... Eu adoro Artemis Fowl, mas com certeza não faço parte do público alvo! Acredito que quanto maior a qualidade de uma obra, mais público além do público alvo ela abrange...

E Crepúsculo tem um grupo de fãs gigantesco, as "Twilight Moms", o que me faz faz pensar que eu devia ter escrito um pouco mais na parte do público alvo...

E por último, bem... Eu lembro de ter lido 'O Morro dos Ventos Uivantes', mas agora não sei se eu cheguei ao fim... Porque lembro de ficar com muita pena de Heathcliff, mas não dele como alguém mal... Vou dar uma olhada no livro mais tarde!

E obrigado pelo comentário e pela leitura, sogra!!!

Taís Drabik disse...

Pois é, como a maioria que diz que odeia só o faz para se mostrar "superior", muitas vezes sem nem ter lido, fica bem mais interessante adotar sua justificativa e dizer que não faz parte do público alvo.
Eu não sabia das Twilight Moms, e não me incluiria nesse grupo, mas entendo bem a ideia, já que faço parte do Harry Potter Senior. XD
E como último comentário: quando li o Morro pela primeira vez também tive muita pena do Heathcliff. Dessa vez, eu fiquei mais impressionada com a maldade dele. Talvez a impressão seja consequência da idade, experiência de vida. Daqui a uns 20 anos você lê novamente e daí me diz...

[w]ill disse...

-

Ôrra, perceber que até Harry Potter esta se tornando algo culto... Não tem preço. Boa sacada.

Eu não odeio Crepusculo, mas sou um adorador dos vampiros antigos, desde a atual Anne Rice passando pelo Bram Stoker e chegando lá trás na mitologia, das várias vertentes, algumas mostram o vampiro como um ser puramente maligno que suga (energeticamente) as energias vitais da humanidade.

Mas também tem outras fontes os mostram como seres bondosos, só que reponsáveis por tarefas "sujas" como a de impedir a saida dos mortos dos cemitérios e etc. E por estarem lidando com o lado negro da força, contantemente precisavam de novas energias.

Foi quando os cristão vieram dizendo que Deus em pessoa derramou seu sangue na cruz, e que o seu sangue é a vida e bla bla bla... Os escritores fizeram o 1 + 1 = 2 que vc falou e assim nasceu Drácula.

Anônimo disse...

Nude celeb [url=http://nudecelebrities.insanejournal.com/] naked tape[/url] Naked art

Edy disse...

“VOCE SABE O QUE SIGNIFICAM ESSAS ESSAS 5 PREDRINHAS MEU IRMÃO VOCE SABE O QUE SIGNIFICAM?”


Cara Elfos são criaturas da mitologia nórdica, são semelhantes as fadas e as ninfas, mas na própria mitologia nórdica estes seres místicos são 3 seres distintos... tem algumas características comuns, graças ao Tolkien. Se você for ver bem elfos são retratados na mitologia nórdica, fadas na mitologia celta e nórdica...por que elfos so ta em um e fadas ta nos dois...sei lá, mas em muitas sagas nórdicas aparecem como dois seres parecidos mas distintos.

Anões também eram seres da mitologia nórdica: “os anões nasceram dos vermes que roíam o cadáver do gigante Ymir”, “os anões são seres que vivem debaixo da terra, no subterrâneo, pois a luz tem o poder de transforma-los em pedra.”, “Os anões são hábeis artífices; são particularmente peritos no trabalho de forja”, “os anões também possuem má reputação, pois são vistos usualmente como gananciosos, quando diante dos metais preciosos, e além disso ladrões e trapaceiros.” tirando a arte da forja não lembro destas características no Gimli anão honrado, corajoso e turão do senhor dos anéis....

Vampiros surgiram da mitologia Mesopotâmia, sempre sugaram sangue HUMANO, AMALDIÇOADOS a viver na noite e principalmente sempre foram criaturas malditas, amaldiçoadas, parasitas....malvados x)
Ta ai o problema do crepúsculo se um infeliz quer escrever que vampiro vira purpurina quando sai no sol problema dele....só não pode, na minha opinião, quebrar o básico da lenda: morre no sol, suga sangue humano, tem pacto com o capiroto... quase esqueci vampiros na maioria dos contos não tem alma por tanto são mortos vivos... aff crepusculo é ruim? Veja True blood....se não me engano é uma adaptação de um livro tão besta quanto a serie.

Edy disse...

Eu gostei de Van Helsing o filme e sempre fui fã de Drácula do bram stoker... fora a merda do crepúsculo e o historia sem H (me perdoe se foi de propósito)o blog é muito engraçado. xD vou para o céu comentei 2 vezes.

Victor disse...

de verdade, muito bom!
não precisa gostar, mas precisa entender.

Anônimo disse...

a essência de um vampiro é ter de viver eternamente nas trevas. Daí a perversidade e a angústia... E o vampiro tem de ter fraquezas. Muito bom trabalho em apontar esses casos mas simplesmente nºão pega. No twilight nãoexiste vampiros nem novos vampiros nem o c****, existem heróis da bd cheios de poderes e força mas que bebem sangue. E depois, beber sangue de animais? A sério? que cópia barata da Anne Rice, o Louis já tentou isso. Uma pita adulta tem um sonho molhado, pões em livro sem saber qualquer referência sobre a matéria, usa SEMPRE as mesmas palavras para descrever as mesmas personagens e SEMPRE os mesmos diálogos e arrasta isto durante quatro livros... oh god, haja paciência. E o Tolkien estudou o que era um elfo antes de criar a sua adaptação! Não sonhou e escreveu no momento. Há que entender a criatura, estudar a história, evolução e conceito! É imperativo fazer isto! não é de repente decidir, «Ah vou criar vampiros mas estes brilham ao sol. Sim, acho que está bom, não me vou informar sobre nada e pronto.» E depois tem a sorte para nosso azar de criar a história com todos os clichés de sempre, com a personagem mais comum de sempre, e por isso arrastar todas as miúdas inseguras do mundo inteiro! Que desejam profundamente ter dois tipos a disputarem por ela. AH, tenha dó! Agora justificar Estefania Maia com J.R.R. Tolkien. Não dá para comparar um papel higiénico com um livro lá porque tem palavras impressas nele.